Reestruturação produtiva em Porto Alegre

Indústria calçadista de Porto Alegre

A economia da RM de Porto Alegre passou, ao longo dos últimos trinta anos (1980-2010), por uma série de transformações, como a desconcentração econômica (especialmente industrial) e o crescimento da economia dos serviços. Essa análise da reestruturação produtiva é um dos destaques do livro “Porto Alegre: transformações na ordem urbana”, que também inclui a descrição dos principais polos industriais metropolitanos, no qual contrastam os velhos e novos modelos de industrialização.

Segundo o professor Paulo Roberto Rodrigues Soares, entre 1980 e 2010 a capital gaúcha e a RMPA sofreram importantes mudanças econômicas que repercutiram na sua reestruturação interna e na sua reconfiguração urbano-regional. O processo de desconcentração metropolitana tem reforçado a tendência à policentralidade metropolitana com o crescimento do comércio e dos serviços não só na capital, como em outros centros, especialmente os mais populosos e de economia mais dinâmica.

“Em um primeiro momento (décadas de 1970 e 1980), a expansão metropolitana se produziu pelo transbordamento da mancha urbana da capital e pelo deslocamento da indústria; a partir de 2000, a desconcentração também afetou o setor de serviços, com alguns centros urbanos se convertendo em polos de atividades terciárias. Essa mudança reflete a alteração do perfil da própria economia da metrópole, que se caracteriza por um incremento da participação dos serviços no Produto Interno Bruto (PIB)”, explica.

O e-book “Porto Alegre: transformações na ordem urbana” mostra que em 1980 o setor industrial compreendia um terço da economia metropolitana da RMPA, enquanto que os serviços compunham quase dois terços do PIB. No início dos anos 1990 o setor industrial chegou ao seu auge na economia metropolitana, incluindo a capital. A partir de então, a reestruturação produtiva e o movimento de desindustrialização relativa afetou com mais força o município de Porto Alegre. “As grandes indústrias ‘abandonaram’ o município, assim como as novas implantações industriais buscaram outras localizações na Região Metropolitana. Esse movimento de perda relativa da participação da indústria atingiu de modo diferenciado a RMPA, ao mesmo tempo em que o terciário, que já era predominante na capital, aumentou sua importância em outros centros urbanos”, afirma Soares.

Porto Alegre diminuiu seu peso relativo na economia metropolitana. A redução foi mais drástica no PIB industrial. A última década demonstra produção e serviços mais concentrados nos principais municípios, evidenciando a “desconcentração concentrada” da economia metropolitana. A metrópole diminui seu peso relativo, mas poucos centros da região metropolitana são beneficiados pela desconcentração. Nos serviços, a metrópole mantém elevada participação por diversos motivos: a capital concentra mais de um terço da população metropolitana e conta com a presença dos serviços avançados (terciário superior) nos seus espaços de centralidade.

Já o mercado de trabalho metropolitano refletiu esta reestruturação. Entre 1991 e 2010, a indústria de transformação foi o setor que apresentou a maior diminuição de participação na ocupação. Neste período destaca-se a ampliação da participação dos serviços e do comércio. A RMPA perdeu participação na indústria de transformação estadual. Isto evidencia a continuidade do processo de deslocamento da atividade industrial para além dos limites metropolitanos. Mudanças qualitativas ocorreram no mercado de trabalho metropolitano, como o crescimento do assalariamento e dos trabalhadores com vínculo regulamentado.

A diminuição da taxa de desemprego e o aumento da formalização melhoraram as condições do mercado de trabalho metropolitano. A queda da participação da indústria e o crescimento do terciário no emprego são mais pronunciados na capital e em municípios limítrofes, os quais são mais influenciados pela dinâmica da metrópole.

“A RMPA continuou a atrair investimentos industriais, mas os novos empreendimentos estão baseados em formas de organização da produção e relações de trabalho mais flexíveis, o que contribui para uma menor geração de empregos no setor industrial. A nova economia informacional se faz presente nos Polos Tecnológicos, que representam um novo tipo de espaço industrial, com diferentes impactos sobre o território metropolitano, o qual se insere, assim, nos circuitos da economia global”, argumenta Paulo Roberto Soares.

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