Maringá: segregação e fragmentação sócio-espacial

Maringá: imagem aérea

A profª Ana Lúcia Rodrigues comenta o ineditismo do e-book “Maringá: transformações na ordem urbana” cujas análises mostram de forma aprofundada e abrangente a formação desta metrópole paranaense, abordando as principais políticas setoriais urbanas ali presentes. Segundo ela, a RMM é marcada ainda hoje por um processo de fragmentação e de segregação sócio-espacial imposto pelo/e para o mercado.

A profª Ana Lúcia Rodrigues é coordenadora do Núcleo Maringá do INCT Observatório das Metrópoles e organizadora do livro “Maringá: transformações na ordem urbana”, que será lançado localmente no próximo dia 30 de junho, no SESC Maringá, com a participação do coordenador nacional do instituto, profº Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro e toda a equipe do núcleo Maringá.

Ana Lúcia Rodrigues apresenta um breve depoimento – sobre a relevância da pesquisa que resultou na publicação “Maringá: transformações na ordem urbana”.

Professora Ana Lúcia Rodrigues (UEM)

 

Em que medida o livro Maringá: transformações na ordem urbana contribui para a compreensão dessa metrópole?

Ana Lúcia: O Observatório das Metrópoles da Região Metropolitana de Maringá (RMM) está completando 10 anos de implantação e é o único núcleo do interior do país a integrar esta rede nacional de pesquisadores sobre a dimensão metropolitana da questão urbana brasileira.

O livro Maringá: transformações na ordem urbana se constitui num importante marco documental – teórico e analítico – que contribui para compreender essa região e para subsidiar a implementação de política metropolitana no fomento da governabilidade deste território, que hoje se encontra praticamente órfão de institucionalidade e de ação cooperada entre os entes municipais que o compõe.

Com base no conjunto dos dados apresentados, temos a expectativa de que sejam levados em consideração quando da avaliação das políticas públicas em curso e na adoção de políticas púbicas metropolitanas ainda inexistentes na região.

Por que esse livro vale a pena ser lido?

Ana Lúcia: Em primeiro lugar, porque é o primeiro estudo que tem por objeto a demonstração das desigualdades nas estruturas de oportunidades na RMM, com base no eixo teórico-metodológico adotado pelo Observatório das Metrópoles.

Em segundo, a leitura do livro permite uma visão também inédita das desigualdades nas estruturas de oportunidades analisadas; e, com isso, se percebe a relação entre a organização social do território e as desigualdades sociais e como essas desigualdades se expressam no território, o que permite maior visibilidade da questão social na RMM.

Também contribui para compreender os efeitos da recente política habitacional no aglomerado metropolitano, as dinâmicas migratórias significativas em um processo de formação de uma espacialidade metropolitana; a participação social na elaboração das políticas públicas que, desde a formação da região, tem sido utilizada apenas para institucionalizar os arranjos políticos eleitoreiros pela elite local em detrimento do interesse público.

Os indicadores utilizados permitem a análise das desigualdades nas estruturas de oportunidades; confirmam a importância da tipologia para demonstração da diferenciação sócio-espacial da RMM; apresentam a dinâmica da distribuição das desigualdades segundo os tipos sócio-espaciais; demonstram as mudanças nas desigualdades ocorridas no período estudado. Nesse sentido, o estudo demonstra que as dinâmicas de produção e reprodução de desigualdades segue o padrão de organização social do território, de acordo com modelo núcleo-periferia.

Por fim, o livro aponta que a situação de desigualdade continua agravada pela elevada condição de isolamento social das pessoas com baixa qualificação, que mais sofrem o viés da desigualdade nas estruturas de oportunidades. Além disso, essa população ocupa as áreas da periferia urbano-metropolitana, onde são verificados os piores índices de bem-estar urbanos da RM Maringá. E é essa mesma população que está desprovida de política de moradia que, em sua grande maioria, se submete ao padrão rentista estabele­cido pela especulação imobiliária, acabando por destinar um terço de sua renda para o pagamento de aluguel.

Trata-se do único trabalho sobre essa temática, nesta região, que sistematiza e analisa o metropolitano de forma abrangente e aprofundada, abordando as principais políticas setoriais urbanas, além de realizar um diagnóstico que entrelaça a Economia, a Cidade/Urbano e a Política/Estado no contexto metropolitano maringaense.

Os resultados apontam para uma trajetória da RM Maringá que segue o rumo da tragédia urbana e urbanística já conhecida e sofrida pelas grandes metrópoles no país, reproduzindo nesse espaço regional sua gênese vinculada a um grande projeto imobiliário que consolida a região e, especialmente a cidade polo como território dos negócios.

Os estudos mostram que ainda há tempo de corrigir essa trajetória da região maringaense e romper os processos de fragmentação e de segregação sócio-espacial que impostas pelo/e para o mercado como se não houvesse outra solução sustentável do ponto de vista social, econômico e ambiental. Evidencia-se a necessidade, por exemplo, de desconcentração das atividades econômicas para o âmbito metropolitano como um importante caminho para o desenvolvimento regional.

Faça o download do e-book “Maringá: transformações na ordem urbana”.

 

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