Análises

E-book Natal: transformações na ordem urbana

Após ser sancionado o Estatuto da Metrópole em janeiro de 2015, o Brasil vive um contexto positivo para a implementação de instrumentos de gestão metropolitana no país. É nesse sentido que o INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento do e-book “Natal: transformações na ordem urbana” com o objetivo de subsidiar a elaboração de políticas públicas para as regiões metropolitanas brasileiras. O estudo joga luz sobre as principais mudanças e permanências relativas à metrópole do Rio Grande do Norte: da consolidação do segundo arco metropolitano à manutenção de um território marcado pela desigualdade social no acesso aos serviços urbanos.

O e-book “Natal: transformações na ordem urbana” aborda as mudanças e permanências da Região Metropolitana de Natal (RMN), no período compreendido entre 1980 e 2010 (com ênfase no intervalo de 2000 a 2010), destacando: i) O processo de Metropolização; ii) A dimensão socioespacial da exclusão/integração na metrópole; e iii) Governança urbana, Cidadania e Gestão da Metrópole. Temas como dinâmica demográfica, estrutura produtiva e mercado de trabalho, estrutura social e organização social do território, deslocamentos pendulares, políticas de moradia e a governança metropolitana são destaques.

De acordo com a professora Maria do Livramento Miranda Clementino (UFRN), uma das editoras do e-book, o estudo analisa, especialmente, a dinâmica recente do desenvolvimento urbano de Natal, e a continuidade do seu processo de metropolização.

“Estudos anteriores do Núcleo Regional do Observatório das Metrópoles apontavam que Natal era uma metrópole ainda em formação. Para a produção desta nova pesquisa colocamos de novo essa questão, ou seja, Natal passou a se constituir numa verdadeira metrópole? Tentamos apreender o que aconteceu em Natal em sua fase mais recente. Melhor dizendo, como explicar o que houve em Natal nos últimos dez anos, no período de 2000 a 2010? Houve mais mudanças ou permanências? E de que maneira as mudanças e/ou permanências se manifestam na organização social desse território”, explica Maria do Livramento.

O estudo mostra que, na primeira década deste século, foram várias as ações governamentais que incidiram sobre a configuração urbana do território metropolitano. Por exemplo, investimentos públicos ocorridos, principalmente na esfera da infraestrutura de suporte material, provocaram mudanças expressivas na dinâmica econômica e territorial do estado do Rio Grande do Norte e da Região Metropolitana de Natal, tais como: a duplicação da BR-101 entre Natal e Recife; a construção da ponte sobre o rio Potengi, que liga o litoral sul ao litoral norte de Natal – denominada “Ponte de Todos Newton Navarro”; e a construção e melhoramento da rede viária, de abastecimento d’água e de esgotamento sanitário nas principais cidades do RN.

Segundo Maria do Livramento, uma das principais transformações urbanas verificadas na RM de Natal foi a consolidação do segundo arco metropolitano e o intenso processo de integração do município de Parnamirim com Natal.

“A consolidação do segundo arco metropolitano encontra-se os três municípios – Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Extremoz – que em relação a Natal, apresentam níveis de alta integração e o município de Macaíba, de média integração. Parnamirim se destaca dos demais municípios de alta integração praticamente em todos os aspectos e apresenta ‘indícios’ que revelam a tendência de passagem ao nível imediato ‘muito alto’, uma vez que já integra com o polo (Natal) uma unidade física (pela conurbação) e funcional” , afirma Maria do Livramento.

Permanências em Natal: estrutura socioocupacional e desigualdades no território

O e-book “Natal: transformações na ordem urbana” aponta também que, apesar das mudanças, muitas são as permanências que ainda fazem parte do território da metrópole do RN.

Estrutura sócio-ocupacional. De modo geral, a estrutura sócio-ocupacional entre os anos de 2000 e 2010 manteve características semelhantes à estrutura da década anterior, com poucas alterações significativas em sua composição. É importante reiterar que essa composição social reflete o fato de a RMN se constituir numa economia urbana essencialmente de serviços.

Em síntese, o quadro sócio-ocupacional da RMN é caracterizado por um mercado de trabalho compatível com a dinâmica metropolitana que se caracteriza, essencialmente, por ocupações de características medianas e inferiores, manuais e tradicionais, e de baixo impacto tecnológico. O perfil sócio-ocupacional metropolitano de Natal se distingue por diferenciações quanto ao nível educacional e de renda, que conforma um território com graves assimetrias sociais no seu interior.

NATAL é uma metrópole não urbano-industrial, mas sim urbana de prestação de serviços. Tal afirmação se respalda na densidade das ocupações médias e do terciário especializado que são as estruturas ocupacionais de maior impacto no território metropolitano, responsáveis por integrar a metrópole e definir o seu padrão organizacional. A tendência é que esse processo evolua e se expanda num futuro próximo.

Desigualdade social e concentração dos tipos socioespaciais. A Região Metropolitana de Natal está mais diferenciada em relação aos níveis de estratificação social, com a participação dos tipos superiores concentrados no polo e se estendendo de forma descontínua em direção à área de conurbação com Parnamirim. As áreas identificadas por tipos médios se ampliaram do polo em direção às áreas de maior integração, e as áreas identificadas por tipos inferiores mantêm a condição de pouca especialização, distanciamento e baixo impacto de qualificação.

Esse é o padrão da ordem social da RMN que avançou seu processo de metropolização na década de 2000, caracterizando-se hoje como uma área fortemente urbanizada e de serviços.

Nas últimas décadas, a estrutura social da RMN mostra uma nítida diferenciação social entre a população e as condições de vida dos que residem no polo metropolitano e daqueles que habitam o seu entorno, coexistindo diferentes níveis sociais de acesso aos benefícios do desenvolvimento urbano. Consequentemente, as condições de vida e os espaços públicos são apropriados distintamente, devido aos fatores socioeconômicos e ocupacionais que interferem nas formas em que se dá sua apropriação.

O Déficit Habitacional, observado no estudo, indica a existência de grandes desafios relacionados à provisão da moradia para as famílias pobres na RMN. Acrescenta-se a inadequação por carência de infraestrutura (de forma especial nos indicadores socioambientais), evidenciando que a questão da moradia está fundamentalmente ligada à melhoria das condições gerais dos municípios metropolitanos, ou seja, à instalação de redes adequadas de saneamento básico, drenagem e pavimentação. No entanto, ao considerar a implementação das políticas públicas voltadas à moradia, o esforço de criação de estruturas de Planejamento e Gestão – fundos e conselhos – produziu resultados com pouca efetividade, revelada na desarticulação institucional na escala da RMN, o que impede uma atuação mais coordenada por parte dos municípios.

Conclusão. “Se antes Natal era uma metrópole em formação, agora podemos dizer que é uma área urbana metropolizada pelos resultados de uma reestruturação produtiva incentivada pelo Estado e por uma economia subsidiada por fortes investimentos públicos em infraestrutura, decididos de forma exógena à vontade política local de reforçar a estrutura da RMN, embora, constate-se sua complementação por ações públicas municipais”, afirma Maria do Livramento e completa:

“Pode-se dizer que se reafirma na metrópole de Natal um desenho territorial descontínuo, fragmentado e desintegrado que tende a articular-se e a consolidar-se espacialmente por meio de uma malha infraestrutural básica, principalmente a rodoviária, interligando áreas e equipamentos estratégicos”.

Para download do e-book,  acesse os seguintes links:

“NATAL: transformações na ordem urbana”

Por Breno Procópio – Jornalista do Observatório das Metrópoles

Metrópole de Salvador: pobre, periférica e marginal

A equipe do Núcleo Salvador do INCT Observatório das Metrópoles promoveu, no dia 23 de março, o lançamento local do livro “Salvador: transformações na ordem urbana”. O evento, realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), contou com a participação do reitor da UFBA João Salles, e mais representantes do Ministério Público e Promotoria de Justiça da Bahia, e nomes importantes da Arquitetura e Urbanismo do estado. Segundo Gilberto Corso Pereira, a expectativa é que a publicação possa instrumentalizar movimentos sociais e planejadores urbanos no debate sobre o futuro da região metropolitana de Salvador.

O Seminário “Transformações Urbanas: a trajetória de Salvador”, organizado pelos professores Inaiá Moreira de Carvalho e Gilberto Corso Pereira (e mais a equipe do Núcleo Salvador do INCT Observatório das Metrópoles), teve como objetivo debater os rumos da metrópole da baiana à luz dos resultados do livro “Salvador: transformações na ordem urbana” que percorre o período 1980-2010, a partir de temas como metropolização, demografia, mercado de trabalho, mobilidade urbana, habitação, entre outros.

O evento contou com a presença de João Salles, Reitor da Universidade Federal da Bahia; a Procuradora de Justiça, Hortência Pinho; o antropólogo Ordep Serra; o arquiteto Paulo Ormindo de Azevedo (ex-presidente do IAB-BA); Ana Fernandes (FAU/UFBA); Naia Alban Suarez (FAUFBA); Luiz Antônio Cardoso (PPGAU); e Alvino Sanches (CRH). E mais os autores do livro, nomes como Ângela Maria de Carvalho Borges; Barbara-Christine Nentwig Silva; Claudia Monteiro Fernandes; José Ribeiro Soares Guimarães; Juan Pedro Moreno Delgado; Maina Pirajá Silva e Sylvio Bandeira de Mello e Silva.

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Mesa de debate sobre o livro

 

 

 

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O arquiteto Paulo Ormindo de Azevedo

 

Sobre os principais resultados do livro “Salvador: transformações na ordem urbana”, a professora Inaiá Moreira de Carvalho aponta, por exemplo, que em relação à estrutura produtiva e ao panorama ocupacional, a metrópole baiana continua pobre, segregada, com uma inserção periférica no quesito força de trabalho no país.

“É verdade que, a partir de 2004, o emprego tem crescido, com um avanço em termos de sua formalização. As taxas de desemprego caíram, o peso dos ocupados por conta própria e dos trabalhadores sem carteira assinada recuou, a remuneração dos trabalhadores experimentou certa recuperação, e a proporção de moradores pobres e indigentes também se reduziu. Mas, ainda assim, as referidas taxas ainda representam quase o dobro da média nacional, elevando-se ainda mais fora do núcleo metropolitano e entre as mulheres, os negros, os jovens e aqueles menos escolarizados”, argumenta Inaiá e completa:

“A maioria dos ocupados se encontra vinculado a atividades que não se destacam pela geração de postos de qualidade, como o comércio, os serviços tradicionais e a construção civil. A metrópole de Salvador se mantém como um espaço de baixas remunerações, com 70,9% dos trabalhadores percebendo até dois e apenas 10% acima de cinco salários mínimos. A precariedade ocupacional se mantém bastante expressiva na região, assim como os níveis de pobreza e de indigência da população”.

Já em relação à estrutura urbana, segundo o professor Gilberto Corso Pereira, a RM de Salvador vem sendo afetada, nos últimos anos, por mudanças que têm se mostrado comuns às grandes metrópoles e a outras cidades do Brasil e da América Latina. Entre essas mudanças, destacam-se: uma expansão para as bordas e para o periurbano, assim como o esvaziamento, a decadência ou a gentrificação de antigas áreas centrais; a edificação de equipamentos de grande impacto na estruturação do espaço urbano; e a difusão de novos padrões habitacionais e inversões imobiliárias destinadas aos grupos de alta e média renda, com a proliferação de condomínios verticais ou horizontais fechados, que ampliam a autossegregação dos ricos, a fragmentação e as desigualdades urbanas, assim como revelam uma afirmação crescente da lógica do capital na produção e reprodução das cidades.

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“No seu conjunto, as mudanças e os processos vêm reproduzindo e reforçando os padrões de segregação e segmentação e as desigualdades que se conformaram historicamente na metrópole de Salvador”, explica Gilberto Corso e acrescenta:

“Vemos que a produção capitalista e empresarial da habitação é segmentada em termos sociais e espaciais, orientando-se, basicamente, para as camadas de maior renda. Dos antigos bairros de classe alta e média, comuns nas grandes cidades brasileiras, passou-se à produção atual de megacondomínios verticais e horizontais, com seus aparatos de separação e distanciamento, os quais, além de propiciar uma homogeneidade social, impedem a porosidade urbana e asseguram que qualquer mistura social só poderá acontecer fora de suas fronteiras”, explica.

Nesse sentido, as formas recentes de produção da moradia e do espaço urbano em Salvador mostram uma ampliação da fragmentação socioespacial da metrópole, agora se expressando na forma de enclaves de diversas naturezas que caracterizam o atual espaço construído.

Outro destaque do livro é o tema da mobilidade urbana. O capítulo VII “Organização Social do Território e Mobilidade Urbana” aponta que a metrópole de Salvador vive um colapso de mobilidade. “Os tempos de viagem estão se tornando cada vez maiores para quem transita em Salvador; isso acontece porque as políticas de transporte e mobilidade se voltam para o veículo individual e não para os pedestres e para o transporte público”, argumenta.

Segundo ainda Corso, a precária mobilidade urbana de Salvador penaliza todos os moradores, mas o faz especialmente para aqueles mais pobres e residentes em áreas periféricas, pois, enquanto os domicílios que são ponto de partida das viagens se dispersam espacialmente, a distribuição dos serviços e das oportunidades de trabalho está cada vez mais concentrada.
Para download do livro, acesse o seguinte link “SALVADOR: transformações na ordem urbana”

E-book Belo Horizonte: transformações na ordem urbana (1980-2010)

O INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento do e-book “BELO HORIZONTE: transformações na ordem urbana (1980-2010)”. A publicação aponta que a RMBH não passou por um processo de ruptura da sua estrutura produtiva nos últimos anos, reforçando a importância do complexo minerometalomecânico e do setor de serviços; além disso, verifica-se um processo de expulsão das populações de baixa renda da capital para as regiões mais periféricas; intensificação da mobilidade pendular e aumento dos níveis de integração dos municípios com a cidade de Belo Horizonte.

O e-book “BELO HORIZONTE: transformações na ordem urbana” apresenta mudanças e permanências na estrutura urbana da metrópole mineira, no período de 1980 a 2010. A seguir são apresentados alguns pontos de análise do livro.

ESTRUTURA PRODUTIVA E ECONOMIA

Segundo o professor Alexandre Diniz, a economia mineira e a da RMBH, em particular, vivem um período de crescimento econômico desde o início dos anos 2000. Neste contexto assiste-se a uma expansão do número de postos de trabalho formais e a elevação dos rendimentos do trabalho, fatores associados a baixas taxas de desemprego. No entanto, o impacto desses processos tem sido desigual no território e nos setores da economia.

“A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) não passou por um processo de ruptura em sua estrutura produtiva ao longo dos últimos anos, tendo o seu desenvolvimento recente reforçado a importância do complexo minerometalomecânico e do setor de serviços. Também merece destaque o vigoroso crescimento do número de empregos da construção civil, alavancado pela forte expansão do mercado imobiliário em curso desde o início dos anos 2000, que, por sua vez, também trouxe significativas implicações para os movimentos migratórios intrametropolitanos. Permanece a grande concentração dos postos formais de trabalho em Belo Horizonte e nos dois principais municípios do vetor oeste (eixo industrial) Betim e Contagem – tomados em conjunto abarcam 87% dos postos de trabalho formais da RMBH”, explica o professor.

O estudo mostra ainda que Contagem é o município que, na RMBH, foi identificado como a extensão do polo, dado o avanço do seu processo de metropolização. Esta forte concentração tem impactos importantes na dinâmica metropolitana, afetando de forma substantiva a mobilidade, além de reforçar a estrutura socioespacial, marcada pela forte polarização entre ricos e pobres. “Do ponto de vista da geração de empregos assiste-se a uma espécie de modernização conservadora. Conservadora, por ser marcada pela reprimarização da economia, pelo reforço do complexo minerometalomecânico, pela forte atuação do Estado na indução do desenvolvimento e pelo fato de a evolução do setor produtivo não ter gerado transformações sociais e econômicas substantivas. E modernizadora, pela expansão do setor automotivo e pelas novidades que se anunciam no vetor norte da RMBH”, argumenta Alexandre Diniz.

Assim, apesar das notórias melhorias no poder de compra do salário mínimo, acompanhadas de certa redução das desigualdades de renda, dados recentes indicam a permanência da polarização espacial, uma vez que as áreas mais vulneráveis permanecem no entorno da RMBH, a norte e nas áreas periféricas de Contagem e Betim, e sua extensão a oeste e noroeste, enquanto as áreas menos vulneráveis estão vinculadas às porções centrais de Belo Horizonte, Contagem e Betim, além de Nova Lima, que se localiza na extensão sul.

ESTRUTURA SOCIOESPACIAL, FRAGMENTAÇÃO E DESIGUALDADES

O livro mostra que a estrutura socioespacial da RMBH manteve as características das décadas anteriores, com a permanência dos grupos sociais superiores fortemente concentrados nos espaços centrais do município-polo e sua extensão a sul. Os espaços periféricos, por sua vez, continuam a apresentar composição social predominantemente popular. Observa-se, ainda, o contínuo espraiamento dos grupos médios pelos espaços pericentrais de Belo Horizonte e a consolidação da mescla de grupos médios e operários no eixo industrial, juntamente com a consolidação dos espaços populares na periferia norte.

No entanto, projetos do governo estadual, que incluem investimentos em infraestrutura e logística, voltados para potencializar o desenvolvimento econômico do vetor norte da RMBH, com vistas a atrair e criar polos de alta tecnologia em aeronáutica, microeletrônica, semicondutores e saúde, podem resultar no aprofundamento da fragmentação socioespacial do território metropolitano, acirrando as desigualdades e a exclusão, reforçando processos históricos de concentração nas áreas centrais e ao longo dos principais eixos viários.

Essas transformações, por sua vez, têm feito com que a participação de Belo Horizonte no crescimento populacional da RMBH tenha diminuído de modo substantivo, fato que repercute em uma menor participação da população de Belo Horizonte no total da RMBH. O Censo de 2010 revela que pela primeira vez na história a população dos demais municípios da RM superou a população do município de Belo Horizonte. Ao longo das últimas décadas, Belo Horizonte tem apresentado trocas migratórias líquidas negativas com os demais municípios metropolitanos, com destaque para aqueles vinculados aos vetores Oeste (eixo industrial) e Norte Central. Tais processos estão diretamente vinculados à evolução do mercado imobiliário em Belo Horizonte, marcado por substantiva valorização, que acabou por expulsar segmentos de média e baixa renda.

MOBILIDADE PENDULAR

O e-book “Belo Horizonte: transformações na ordem ubana” aponta que os empregos continuam fortemente concentrados em Belo Horizonte e no eixo industrial (Contagem e Betim); em razão disso a migração intrametropolitana terminou por intensificar os movimentos pendulares casa-trabalho no contexto da RM. Nota-se que o vetor Oeste da RMBH (eixo industrial) apresenta-se como o mais dinâmico, constituindo-se tanto como origem, quanto como destino de grande número de viagens casa-trabalho. Em segundo plano, destaca-se o vetor norte-central (Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Vespasiano), composto por uma série de cidades dormitório, que operam muito mais como origem do que como destino para os movimentos casa-trabalho. Neste contexto, deve-se ressaltar que são exatamente esses os vetores que guardam níveis de integração mais fortes com a Região Metropolitana.

Em síntese, como determinantes da intensificação da mobilidade casa-trabalho, destacam-se a relativa desconcentração populacional, crescimento populacional diferencial nas periferias metropolitanas, melhoria nas condições socioeconômicas da população, maior oferta e acesso ao sistema de transportes e concentração das atividades econômicas e dos equipamentos públicos em Belo Horizonte e no eixo industrial clássico.

PROVISÃO DE MORADIA E MERCADO IMOBILIÁRIO

O estudo aponta ainda que houve substantiva expansão na oferta de moradias ao longo das últimas décadas, especialmente sob a forma de apartamentos, em todos os vetores da RM. Destaque-se, neste sentido, certa ruptura com a histórica vinculação dessa forma de moradia a espaços superiores e médio-superiores, passando a contemplar nos últimos anos espaços de tipo médio-operário e operário-popular.

Esse processo encontra-se também vinculado ao espraiamento das classes médias e superiores pelo espaço pericentral metropolitano. Em escala mais detalhada, destacam-se outros determinantes como os investimentos municipais em infraestrutura viária e de saneamento em bairros periféricos de Belo Horizonte, juntamente com mudanças na legislação urbanística, que ampliaram o potencial construtivo nessas áreas.

Também merece relevo a expansão territorial da produção empresarial de moradias, onde tiveram papel preponderante as construtoras MRV e TENDA, voltadas para a classe média baixa. Nesta junção, cabe ressaltar que tal expansão da produção habitacional para segmentos de renda mais baixa tem sido expressiva na RMBH antes mesmo da implantação do Programa Minha Casa Minha Vida.

No entanto, apesar da inequívoca expansão do mercado imobiliário nos setores médios, observou-se também o crescimento no número de moradias em aglomerados subnormais em toda a RMBH. No seu conjunto 11,6% dos novos domicílios foram construídos em aglomerados subnormais, sendo que em municípios como Belo Horizonte, Santa Luzia e Vespasiano essa proporção foi ainda maior.
Para download do e-book, acesse os seguintes links:

“BELO HORIZONTE: transformações na ordem urbana” (E-BOOK)

“BELO HORIZONTE: transformações na ordem urbana” (PDF)

E-book Porto Alegre: transformações na ordem urbana

O INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento do e-book “PORTO ALEGRE: transformações na ordem urbana”. Organizado por Luciano Fedozzi e Paulo Roberto Soares, a publicação analisa as principais mudanças da metrópole mais meridional do Brasil nas três últimas décadas (1980-2010). Destaque para temas como reestruturação produtiva, perfil sócio-ocupacional, mercado imobiliário e políticas habitacionais, mobilidade urbana e governança metropolitana.

Transformações na Metrópole Meridional do Brasil (1980-2010)

Nos últimos trinta anos o Brasil passou pela crise generalizada do desenvolvimentismo (década de 1980), reestruturação neoliberal (década de 1990) e por uma nova dinâmica socioeconômica, no primeiro decênio do século XXI. Hoje prevalece um “novo” modelo de desenvolvimento que articula características neoliberais e desenvolvimentistas. Esse contexto socioeconômico é o ponto de partida do e-book “Porto Alegre: transformações na ordem urbana” que analisa as mudanças e permanências nas relações entre território, economia, sociedade e política em Porto Alegre e sua Região Metropolitana, no período 1980 a 2010.

Segundo o professor Luciano Fedozzi, o primeiro desafio da pesquisa foi de ordem metodológica, já que a RMPA apresenta um nível de complexidade singular entre as metrópoles brasileiras concentrando núcleos urbanos portadores de centralidades industriais, comerciais e de serviços, bem como polaridades que extrapolam seus limites institucionais.

“Esta complexidade resultou, para o nosso estudo, em diferenças internas na região, que foi dividida em quatro sub-espaços: Porto Alegre (a metrópole), a RMPA-PoA (municípios conurbados e mais próximos à capital), RMPA-Vale (municípios do Vale do Rio dos Sinos, polarizados por Novo Hamburgo) e RMPA-entorno, com municípios pertencentes institucionalmente à RMPA, mas pouco integrados à dinâmica metropolitana e com forte presença de população rural”, explica.

A partir desse recorte, a análise considerou dois movimentos distintos com dinâmicas interdependentes: os movimentos globais e nacionais de reestruturação econômica e metropolitana e a reestruturação interna da Região Metropolitana.

REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA. Entre 1980 e 2010 Porto Alegre e a RMPA sofreram importantes mudanças econômicas que repercutiram na sua reestruturação interna e na sua reconfiguração urbano-regional. De acordo com Luciano Fedozzi, o processo de desconcentração metropolitana reforçou a tendência à policentralidade metropolitana com o crescimento do comércio e dos serviços não só na capital, como em outros centros, especialmente os mais populosos e de economia mais dinâmica.

“Em 1980 o setor industrial compreendia um terço da economia metropolitana, enquanto que os serviços compunham quase dois terços do PIB. No início dos anos 1990 o setor industrial chegou ao seu auge na economia metropolitana, incluindo a capital. A partir de então, a reestruturação produtiva e o movimento de desindustrialização relativa afetou com mais força o município de Porto Alegre. As grandes indústrias ‘abandonaram’ o município, assim como as novas implantações industriais buscaram outras localizações na Região Metropolitana. Esse movimento de perda relativa da participação da indústria atingiu de modo diferenciado a RMPA, ao mesmo tempo em que o terciário, que já era predominante na capital, aumentou sua importância em outros centros urbanos”, afirma o pesquisador.

O livro aponta também que o mercado de trabalho metropolitano refletiu esta reestruturação. Mudanças qualitativas ocorreram no mercado de trabalho metropolitano, como o crescimento do assalariamento e dos trabalhadores com vínculo regulamentado. A diminuição da taxa de desemprego e o aumento da formalização melhoraram as condições do mercado de trabalho metropolitano. A queda da participação da indústria e o crescimento do terciário no emprego são mais pronunciados na capital e em municípios limítrofes, os quais são mais influenciados pela dinâmica da metrópole.

MUDANÇAS DEMOGRÁFICAS. A década de 1980 foi de crescimento generalizado na região metropolitana, embora o município de Porto Alegre tenha apresentado um baixo ritmo de incremento. A partir da década de 1990 o estudo aponta uma queda da taxa de crescimento dos municípios mais integrados à metropolização e a manutenção de um ritmo relativamente elevado de crescimento nos municípios da região coureiro-calçadista do Vale dos Sinos. Na década de 1980 os fluxos entre polo e periferia eram significativamente mais importantes (reflexo da estrutura dual da RMPA de então), atualmente esses dividem posições com os fluxos periferia-periferia.

PERFIL SÓCIO-OCUPACIONAL. Em 1980 a análise do perfil sócio-ocupacional da RMPA apontava para a existência de uma estrutura dual, na qual as categorias médias e do proletariado terciário e secundário, correspondiam a mais de três quartos da população ocupada. Já as “pontas” da hierarquia – o conjunto das elites, dirigentes, intelectuais e pequena burguesia e o subproletariado associado aos agricultores eram equivalentes numericamente. A metrópole se caracterizava então pela predominância das classes médias, seguida do proletariado terciário. No restante da região metropolitana predominava o proletariado secundário, sendo na RMPA-PoA mais vinculado à indústria moderna e na RMPA-Vale à indústria tradicional (coureiro-calçadista).

“Entre 1980 e 1991 ocorreu um evidente processo de elitização e de segregação socioespacial em Porto Alegre: novas áreas de tipo superior, concentração das elites em setores e bairros nobres da metrópole, periferização das camadas populares. Na década de 2000-2010 o perfil sócio-ocupacional da RMPA se manteve essencialmente operário e médio, porém com predomínio das categorias médias sobre os operários. No Vale dos Sinos (RMPA-Vale) o peso do operariado industrial continuou predominante, mantendo suas características anteriores”, explica Luciano Fedozzi.

MORADIA. Quanto à produção da moradia, o livro “Porto Alegre: transformações na ordem urbana” mostra que a crise do fordismo urbano-industrial da década de 1980 dá início à transição ao modelo da cidade neoliberal na RMPA. Este é caracterizado pelo fortalecimento do mercado imobiliário como elemento determinante na produção da cidade. “Em decorrência da flexibilização da gestão urbana e da redução do financiamento estatal para os setores de habitação, equipamentos e infraestrutura, o mercado configurou-se naquele momento como o principal coordenador da produção de materialidades urbanas, tanto na produção residencial, como pela privatização de empresas públicas provedoras de serviços urbanos (energia elétrica e telefonia, principalmente)”, afirma Fedozzi.

Na RMPA, a taxa de crescimento do número de domicílios foi superior ao crescimento populacional. A capital concentrou o maior incremento domiciliar, bem como reúne a maior parte dos domicílios em condomínios e apartamentos da RMPA. Sendo assim, é na metrópole que a atuação do capital imobiliário tem sido mais intensa, embora esta ocorra de modo diferenciado nos diferentes setores da cidade. Já na Região Metropolitana, o aumento da produção habitacional não repercutiu na melhoria da localização dos empreendimentos. Percebe-se, assim, a ausência de uma política habitacional metropolitana, sendo que cada município tenta solucionar seu problema isoladamente em uma região cada vez mais integrada em termos de mercado de trabalho e mobilidade cotidiana.

MOBILIDADE. Segundo Luciano Fedozzi, no período atual, pós-reestruturação produtiva e em plena reestruturação urbana, os níveis de mobilidade das pessoas por diversos motivos (trabalho, estudo, compras, lazer, negócios) se elevaram. Na Região Metropolitana de Porto Alegre foi constatada a ampliação da oferta e da rede de transporte público, decorrente da expansão territorial nesse período. A capital apresentou o menor crescimento relativo, enquanto os municípios mais integrados à metrópole demonstraram um crescimento elevado, passando a sediar a maior frota da região. Quanto à motorização, esta praticamente duplicou em todos os municípios da RMPA na última década.

GOVERNANÇA METROPOLITANA. O livro analisa ainda a governança metropolitana da RM de Porto Alegre a partir de dois capítulos, um que mostra a fragmentação institucional da RMPA e outro que analisa a geografia do voto. Segundo Fedozzi, verificou-se uma representação eleitoral da RMPA concentrada em poucos candidatos e distantes da temática metropolitana. “O comportamento eleitoral da região evidencia uma desigualdade na distribuição da competição por votos sendo que as áreas com disputa eleitoral altamente concentrada (de tipo localista) correspondem em grande medida aos espaços periféricos, enquanto que as áreas classificadas como de dispersão alta (representação mais universalista) estão circunscritas ao município de Porto Alegre”.

Faça o download do livro nos links a seguir:

Porto Alegre: transformações na ordem urbana (E-BOOK)

Porto Alegre: transformações na ordem urbana (PDF)

Transformações na Ordem Urbana na Metrópole Liberal-Periférica: 1980/2010

Como analisar as metrópoles brasileiras no período 1980/2010? Podemos falar de transição de modelo de desenvolvimento do capitalismo nacional? Estamos em uma nova rodada de “desenvolvimentismo” ou em uma longa transição de transformações liberais?

O INCT Observatório das Metrópoles divulga o texto “Transformações na Ordem Urbana na Metrópole Liberal-Periférica: hipóteses e estratégica teórico-metodológica”, do profº Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro. O documento é a base do projeto que visa oferecer a análise mais completa sobre a evolução urbana brasileira nos últimos 30 anos. O foco do texto é avançar na formulação conceitual da metrópole brasileira constituída pelas condições econômicas, políticas, sociais e geográficas concretas que presidiram o desenvolvimento do capitalismo periférico e as

E-book Salvador: transformações na ordem urbana

O INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento do e-book “SALVADOR: transformações na ordem urbana”. A publicação analisa a metrópole baiana, no período 1980-2010, a partir de temas como metropolização, demografia, mercado de trabalho, mobilidade urbana e habitação. Segundo os editores Inaiá Moreira de Carvalho e Gilberto Corso Pereira, as mudanças urbanas da última década vêm reproduzindo e reforçando os padrões de segregação e as desigualdades que se conformaram historicamente na metrópole de Salvador.

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Metrópole de Vitória e a transição demográfica

A Região Metropolitana da Grande Vitória caminha para a fase final do processo de transição demográfica, com a diminuição da mortalidade – em especial a infantil –, elevação da esperança de vida, a alteração da representação dos grupos etários, com a redução do número de jovens e envelhecimento progressivo da população. A análise completa das tendências demográficas da metrópole capixaba é um dos destaques do livro “Vitória: transformações na ordem urbana”.

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Produção de Moradia na RM da Grande Vitória

Qual a relação entre as diferentes formas de produção de moradia com os tipos socioespaciais? O livro “Vitória: transformações na ordem urbana” parte de uma análise histórica para mostrar que a configuração socioespacial atual da RM da Grande Vitória tem o tipo Superior-médio habitando espaços de maior valor do preço do metro quadrado e mais verticalizados; o tipo Médio ocupando conjuntos habitacionais oriundos do BNH das décadas de 1970 e 1980; e o tipo Popular habitando edificações residenciais geradas por autoconstrução – sobretudo na periferia metropolitana.

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Série “Metrópoles: transformações urbanas”

O INCT Observatório das Metrópoles promoveu o lançamento, no dia 19 de novembro de 2014, da Série “METRÓPOLES: transformações urbanas” com o propósito de oferecer a análise mais completa sobre a evolução urbana do país, servindo assim de subsídio para a elaboração de políticas públicas e para o debate sobre o papel metropolitano no desenvolvimento nacional.

O primeiro livro da série é sobre a RM de Curitiba que foi lançado durante o Seminário “Curitiba: metropolização e transformações socioespaciais no início do século XXI”.

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E-book Curitiba: transformações na ordem urbana

O INCT Observatório das Metrópoles lança o e-book “Curitiba: transformações na ordem urbana” que analisa as principais mudanças e permanências, desafios e perspectivas verificadas na Região Metropolitana de Curitiba nas duas últimas décadas.

Segundo as organizadoras do livro Olga Firkowiski e Rosa Moura, a metrópole de Curitiba viveu, no período 1990-2010, processos de periferização e segregação socioespacial, além da inexistência de uma gestão metropolitana. Já em relação às mudanças, destaque para novos arranjos econômicos e sociais, e intensificação da mobilidade pendular.

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